Mãe procura psicóloga depois de ver filho repetindo símbolo estranho com a mão




Pode parecer brincadeira ou sensacionalismo, mas aconteceu.

Uma colega de trabalho que trabalha na prefeitura de um município vizinho disse que no começo do mês de dezembro uma mãe procurou atendimento para o filho com uma queixa um tanto estranha.

Na entrevista inicial, a mãe comentou que o filho de 10 anos ficava repetindo ao longo do dia um movimento estranho com a mão como que entrelaçando os polegares e encostando lado a lado os indicadores, formando uma pirâmide com as duas mãos. A mãe não queria reproduzir o movimento, mas como a psicóloga não estava entendendo, a mãe mostrou com as próprias mãos.

“Ele fica fazendo isso o dia inteiro. Do nada. Ele ‘tá parado, aí de repente começa a fazer isso com a mão sem motivo. É na hora do almoço, vendo TV, na parada de ônibus, até no culto” — muito religiosa, a mãe chegou a brigar com o menino pensando ser coisa pouco cristã. Mas ela ficou preocupada mesmo quando pensou que o movimento pudesse ser símbolo de alguma facção criminosa.

De fato, muitas crianças e adolescentes reproduzem símbolos de facções com a mão ou com desenhos e escritas no caderno, carteira ou mesmo nas paredes das escolas, às vezes sem muito conhecimento do que estão fazendo.

Mas o caso do menino parecia outra coisa.

No primeiro atendimento com a criança, a psicóloga foi bem direta em perguntar o que é que ele fazia com as mãos e por quê. “Ah, isso?” — perguntou o menino fazendo o movimento com a mão — “é pra bater figurinha tia”.

Sim. O movimento tão estranho que vinha assustando a mãe era só um movimento que as crianças fazem pra bater figurinha, ou bafo.

— “Mas sua mãe disse que você faz isso toda hora, e ela não falou de figurinha.”
— “É só costume tia, de fazer isso com a mão. Aí a gente fica fazendo toda hora.”

(Eu não sei se foram exatamente essas palavras. Mas foi o que entendi quando a psicóloga me contou.)

Depois que eu soube dessa história, percebi que realmente muitos meninos ficam repetindo esse movimento com a mão em qualquer lugar sem motivo aparente (já que é só um hábito de repetir o movimento com as mãos, mesmo sem figurinhas por perto).

É triste pensar que a mãe não tem conhecimento sobre as atividades do filho ou que não tem diálogo suficiente pra esclarecer uma preocupação boba. Mas agora, sempre que vejo um pequeno fazendo o “símbolo” com a mão, me pego rindo sozinho ao me lembrar da história.

Obs.: Acho que o menino foi liberado do acompanhamento psicológico.