Homens costumam auto-avaliar sua própria inteligência mais alto que as mulheres


Se você perguntar a homens e mulheres quão inteligentes eles pensam que são, você encontrará uma diferença?

A maioria dos especialistas da área concorda que há pouca ou nenhuma diferença entre homens e mulheres no nível de inteligência real. Mas um novo estudo publicado este ano no Journal of Intelligence (Furnham e Grover, 2020) visava uma questão diferente: existem diferenças de gênero em como as pessoas se auto-avaliam?

Os cientistas realizaram dois experimentos que abordaram a questão.

No primeiro experimento, 517 adultos (259 homens e 258 mulheres) participaram. Cada pessoa teve que avaliar sua própria inteligência, inteligência emocional, saúde física e atratividade física em uma escala de 0 (muito baixa) a 100 (muito alta).

Para todas as quatro medidas, houve diferenças estatisticamente significativas entre os sexos. Os homens classificaram sua própria inteligência um pouco mais alto do que as mulheres, em média, enquanto as mulheres classificaram sua própria inteligência emocional um pouco mais do que os homens. Além disso, os homens também classificaram sua própria atratividade física mais altamente do que as mulheres.

Os autores então realizaram um segundo experimento em um grupo diferente de 475 adultos (240 homens e 235 mulheres). Novamente, cada participante teve que avaliar sua própria inteligência, inteligência emocional, saúde física e atratividade física. No entanto, desta vez os autores também testaram a inteligência real dos participantes com um teste de inteligência.

Como era de se esperar, não havia diferença de sexo na inteligência real. Apesar dessa descoberta, os homens novamente estimaram que sua própria inteligência como significativamente maior do que as mulheres. Comparável ao primeiro estudo, os homens também avaliaram sua própria saúde física e atratividade física mais alta do que as mulheres. No entanto, neste estudo, nenhuma diferença na inteligência emocional auto-avaliada foi observada.

Os resultados, juntamente com os achados anteriores, sugerem que os homens tendem a avaliar sua própria inteligência mais favoravelmente do que as mulheres – mesmo na ausência de verdadeiras diferenças na inteligência. Embora os autores do estudo não tenham fornecido uma explicação clara para esse resultado, os estereótipos de gênero podem ter contribuído para essa avaliação imprecisa das habilidades entre os homens.

  

Crianças aprendem de pequenas estereótipos de gênero


Num estudo publicado em 2017 na revista Science, pesquisadores mostraram que estereótipos de gênero associados a avaliação da inteligência aparecem cedo nas crianças. Neste estudo as crianças foram submetidas a diferentes testes. Em uma das tarefas as crianças ouviram uma história de uma pessoa que era muito, muito inteligente, mas nenhuma informação sobre o gênero da personagem foi oferecido; depois, foram apresentadas quatro pessoas às crianças (dois homens e duas mulheres) para que elas apontassem quais deles era a pessoa descrita na história. Em outro teste, as crianças eram apresentadas a vários casais de adultos e questionadas quem parecia o mais esperto. Os resultados mostraram que já na idade de 6 anos as meninas tendem a acreditar que mulheres não são tão inteligentes. E pior, essa crença tem efeitos significativos ao longo de suas vidas, como, por exemplo, qual carreira seguir.


Para saber mais:


FURNHAM A. & GROVER S. Correlates of Self-Estimated Intelligence. Journal of Intelligence, 8, 6, 2020.

NISBETT et alIntelligence: New findings and theoretical developments. American Psychologist, 67, 130–159, 2012.

BIAN, LESLIE e CIMPIAN. Gender stereotypes about intellectual ability emerge early and influence children’s interests. Science, 355(6323), 389–391, 2017.





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