“Vamos continuar pagando as escolas?” — a resposta dessa mãe surpreendeu pais e professores


Um dos questionamentos mais frequentes nas últimas semanas em grupos de pais no facebook e no whatsapp é se as mensalidades escolares deveriam ou não continuarem a ser pagas.

Muitas têm uma resposta. Poucos concordam. Pais e professores geralmente divergem.

Mas na última semana o que chamou atenção foi a resposta de uma mãe que nos convida a refletir:

“se você trata a sua escola como um mero prestador de serviço que no momento não está entregando o que você comprou, talvez seja hora de rever sua relação.”

No post compartilhado no facebook, Nicoli Tassis faz um desabafo sobre os desafios da educação no Brasil e a necessidade de ver a escola como investimento para a vida.



Veja o texto completo:


Tenho acompanhado, com muita tristeza, a discussão nos grupos maternos nas redes sociais quanto se devemos ou não continuar pagando as escolas particulares durante o isolamento social.
Sei que muitos de nós tivemos nossas rendas drasticamente reduzidas e estamos preocupados com o sustento de nossas casas. É legítimo procurar a escola, expor a dificuldade, negociar, buscar um denominador comum... Contudo, não é esse ponto que tem me entristecido.
Tenho visto muitas famílias que, ainda que com sacrifício, têm condições de continuar honrando as mensalidades, dizerem que não é justo pagar porque não estão usufruindo do serviço contratado. Que a equipe da escola está tranquila em casa, enquanto os pais estão se virando com seus filhos. Que a escola está lucrando com a situação...

Falamos tanto em empatia e solidariedade, mas, não enxergamos a escola como o nosso próximo mais próximo. A maioria das escolas brasileiras, em especial as filantrópicas, trabalham no limite. Esforçam muito para não ficar no vermelho. Educação básica, de modo geral no Brasil, só paga as contas. Não rende esse dinheiro todo que estão falando por aí.

Você que tem condições de honrar a sua escola, por favor, faça. Do outro lado também estão famílias. Pessoas que, assim como nós, não escolheram essa situação e estão trabalhando muito pra continuar o processo de aprendizagem dos nossos filhos.

Está difícil? Muito! Eu mesma estou enlouquecida aqui em casa pra dar conta de manter a rotina doméstica, acompanhar os exercícios da escola e desempenhar o meu próprio trabalho. Todo dia, alguma coisa fica de fora da conta e eu vou dormir exausta.

Mas, quando tudo passar, eu quero que a escola dos meus filhos esteja melhor do que nunca. Eu quero que a família dos professores e colaboradores tenha tido comida na mesa. Eles são a instituição que eu escolhi com muito critério e carinho. Eu acredito que estão preocupados com a formação dos meus filhos e que vão fazer de tudo para que o aprendizado deles seja o melhor possível.
Precisamos ter paciência. É uma pandemia, algo que nunca vivemos antes. Reinventar a educação com sucesso não é algo que se consegue da noite para o dia, ainda mais sob tanta pressão e ânimos exaltados.

"Ah, mas e se esse distanciamento durar 5 meses, como eles vão repor?" Sinceramente, não sei... aulas aos sábados, feriados, entremos em 2021, que venham metodologias inovadoras que possibilitem o aprendizado em tempo otimizado... As respostas encontraremos juntos. O importante agora é que se o meu filho vai ler ou não com X anos não vai fazer a menor diferença na vida dele lá na frente. Mas, ver que a família entende que educação é investimento e que acredita na escola que escolheu pra eles, isso sim, é uma lição pra vida toda.

Se você trata a sua escola como um mero prestador de serviço que no momento não está entregando o que você comprou, talvez seja hora de rever sua relação. Eu acredito na educação básica brasileira. Eu conheço de perto a luta nos bastidores do ensino. Vou fazer de tudo pra continuar pagando. Espero que você também. Quantos somos? Mostre para a sua escola que ela não está só.