Estilos parentais: como a relação pais-e-filhos contribui para o suicídio de adolescentes




Em 2012, o suicídio foi a segunda maior causa da morte em jovens entre 15 e 29 anos em todo o mundo. O dado é um alarme que têm exigido urgentemente investigações e propostas de estratégias de enfrentamento a fim de prevenir o infortúnio.

Para ajudar no entendimento do fenômeno, em um estudo publicado recentemente, psicólogas brasileiras pesquisaram qual a influência dos estilos parentais na ocorrência de suicídio desta população — ou seja, como o comportamento dos pais em relação aos filhos favorece ou protege os adolescentes do suicídio.

Condições de vulnerabilidades sociais e emocionais, aliadas ao fato de que a adolescência é um período de mudanças físicas e psicológicas significativas, podem colocar os jovens em preocupante situação de risco para o suicídio. Por outro lado, considerando que, desde a primeira infância, a relação com os pais e cuidadores é parte essencial do desenvolvimento saudável do adolescente, há de se admitir que a qualidade destas relações favorece o desenvolvimento de capacidades e habilidades emocionais, sociais e adaptativas ao sujeito, além de favorecer fatores de proteção que afastam o jovem desse risco.

Na psicologia, o conceito de "estilos parentais" é um construto importante para se pensar as relações entre pais e filhos, de que modo elas se estabelecem e quais seriam as consequências destas interações nas crianças. A teoria psicológica dos estilos parentais propõe um modelo com quatro estilos organizados em duas dimensões — exigência e responsividade. Considerando se os pais são ou não exigentes e se são ou não responsivos (atendem às necessidades e desejos das crianças), pode-se estabelecer os quatro estilos parentais: autoritário, autoritativo, negligente e indulgente.

Estilo autoritário, autoritativo, negligente, indulgente, permissivo, Baumrind, Maccoby e Martin


Pais autoritários são exigentes e não responsivos. Eles controlam o comportamento da criança de acordo com regras de conduta absolutas, ou seja, as exigências deles estão em desequilíbrio com a aceitação das exigências dos filhos, dos quais se espera que inibam seus pedidos e demandas.

Pais autoritativos são exigentes, mas também são responsivos, ou seja, há uma reciprocidade, os filhos devem responder às exigências dos pais, mas estes também aceitam, o quanto possível, aos pontos de vista e razoáveis exigências dos filhos. Estes pais tentam direcionar as atividades de suas crianças de maneira racional e orientada; incentivam o diálogo, compartilhando com a criança o raciocínio por detrás da forma como eles agem, solicitam suas objeções quando ela se recusa a concordar; exercem firme controle nos pontos de divergência, colocando sua perspectiva de adulto, sem restringir a criança, reconhecendo que esta possui interesses próprios e maneiras particulares; não baseiam suas decisões em consensos ou no desejo da criança .

Pais indulgentes são responsivos e não exigentes. Ou seja, são aqueles conhecidos como permissivos, que atendem a todas as necessidades e desejos das crianças sem fazer exigências ou colocar limites.

Pais negligentes são não exigentes e nem responsivos, não fazem exigências, nem colocam limites e, por outro lado, também não atendem às necessidades e demandas das crianças.

Analisando diversos estudos que avaliaram a relação entre estilos parentais e suicídio na adolescência, as pesquisadoras concluíram que o estilo parental permissivo e negligente é o que gera maiores prejuízos aos jovens, ou seja, em geral foi o que apresentou maiores índices negativos para o comportamento suicida e a internalização de sentimentos associados a baixa autoestima e dependência nos filhos.

Por outro lado, segundo as autoras, foi possível observar que ao manter uma relação de pais para filhos com bons níveis de exigência e responsividade há maior prevenção ao suicídio. Além disso, evidenciou-se que estas relações agem positivamente no desenvolvimento de habilidades e de autonomia nos jovens, favorecendo níveis de autoestima e independência.

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Referência bibliográfica:

MAGNANI e STAUDT (2018). Estilos Parentais e Suicídio na Adolescência: Uma Reflexão Acerca dos Fatores de Proteção. Pensando Famílias, 22(1), p.75-86.