“Pessimismo Defensivo” – Ser pessimista é sempre ruim?

por Eduardo de Rezende

O que é pessimismo defensivo na psicologia?

“Gosto de ser um pouco pessimista; não consigo ser otimista o tempo todo” – se você pensa assim, e se sente bem pensando assim, tudo bem!

Ser pessimista nem sempre é ruim. Na verdade, ninguém consegue ser o tempo todo otimista.

O pessimismo às vezes é uma forma de ser otimista. É um “pessimismo otimista”: no fundo, é claro que você quer ter um resultado positivo, mas você regula suas expectativas ("esperando o pior") para não criar frágeis esperanças e evitar frustrações. Nesse sentido, ser pessimista é ter baixas expectativas.

Além disso, quando você não tem grandes expectativas, acaba muito mais satisfeito quando tem o resultado é positivo.

Na psicologia, chamamos isso de "pessimismo defensivo". Para essas pessoas o pessimismo pode ser saudável: é uma estratégia para lidar com a incerteza.

Segundo a professora de psicologia Julie Norem, autora do livro "The Positive Power of Negative Thinking" (O Poder Positivo do Pensamento Negativo), as pessoas podem dispor de poucas expectativas antes de iniciar uma tarefa com o objetivo de se proteger das consequências negativas de falha. Essas pessoas sofrem muito menos com suas falhas do que aquelas que se sentiam muito confiantes antes de realizar a tarefa.

Julie Norem cunhou o termo “pessimismo defensivo” na década de 80, e desde então tem feito dezenas de pesquisas sobre o tema com seus alunos nos laboratórios de psicologia. Ainda de acordo com a autora, essas pesquisas tem demonstrado que o uso dessa estratégia cognitiva pode também reduzir o estresse e a ansiedade e, consequentemente, aumentar o rendimento dessas pessoas.

A também professora de psicologia Carolin Showers chama atenção para a diferença entre "pessimismo defensivo" e "pensamento negativo". Pessoas que pensam negativamente, como frequentemente ocorre na depressão, faz com que a pessoa evite ou fuja de tarefas ou atividades. Isso pode ser um problema! Por outro lado, pessoas pessimistas defensivas, assim como pessoas otimistas, não fogem de tarefas no seu dia a dia, apenas lidam com os desafios com uma estratégia de expectativa moderada.

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Para saber mais:

Norem, J. K., & Cantor, N. (1986). Defensive pessimism: Harnessing anxiety as motivation. Journal of Personality and Social Psychology, 51(6), 1208–1217.

Nancy Cantor and Julie K. Norem (1989). Defensive Pessimism and Stress and Coping. Social Cognition: Vol. 7, Special Issue: Stress, Coping, and Social Cognition, pp. 92-112.

Showers, C., & Ruben, C. (1990). Distinguishing defensive pessimism from depression: Negative expectations and positive coping mechanisms. Cognitive Therapy and Research, 14(4), 385–399.

Chang, Edward C. (2001). Optimism & pessimism: Implications for theory, research, and practice. Washington, DC, US: American Psychological Association.