O que é a Teoria da “Pedagogia Natural”? | Psicologia Evolutiva

Teoria da Pedagogia Natural dos psicólogos György Gergely e Gergely Csibra

Pedagogia Natural é uma teoria formulada pelos psicólogos húngaros György Gergely e Gergely Csibra que sustenta a ideia de que as crianças humanas são evolutivamente dotadas de mecanismos cognitivos naturais que as tornam receptivas ao conhecimento transmitido culturalmente.

Esses mecanismos são (na ordem temporal de sua operação durante a transmissão de informações):

(1) uma sensibilidade a sinais ostensivos (ou seja, sinais ou movimentos bem destacados ou evidenciados, como direção do olhar, fala dirigida ao bebê, ser chamado pelo nome);

(2) uma expectativa de uma ação de referência que se segue a estes sinais (por exemplo, uma instrução ou gesto que serve de modelo); e

(3) um viés para interpretar como conhecimento genérico e objetivo o que quer que seja mostrado ou dito em uma comunicação referencial-ostensiva.

Os sinais ostensivos também podem ser entendidos como pistas para chamar a atenção da criança. A criança-aprendiz decodifica o sinal ostensivo atribuindo uma "intenção comunicativa" ao professor (=pensamento da criança: "essa pessoa deseja manifestar alguma coisa relevante para mim...") em seguida, após o ato de referência do professor, o aprendiz interpreta a intenção informativa incorporada na comunicação (por exemplo, "o que o professor queira de mim é que eu soubesse que essa planta é tóxica"). Professor aqui não se refere necessariamente ao profissional formal, mas à qualquer pessoa que está transmitindo a informação pedagógica.

Os autores afirmam que esses mecanismos são o produto de uma adaptação específica para a comunicação que evoluiu em hominídeos em torno de 2,5 milhões de anos atrás, com o início da produção de ferramentas, uso do fogo e culinária. O aprendizado dessas práticas já dava indícios de que elas eram orientadas por um "professor", ou seja, alguém que sinalizava sua "intenção pedagógica" através do uso da comunicação ostensiva.

Considerando o momento proposto para o surgimento evolutivo desse mecanismos, Gergely e Csibra afirmam que o ensino é (1) exclusivamente humano (porque o gênero Homo se separou dos chimpanzés antes dessa habilidade de ensino evoluir); (2) é universal entre humanos; e (3) é independente e anterior à linguagem que evoluiu posteriormente (aqui considerando-se a linguagem propriamente dita com signos).

Embora a "aprendizagem social" ocorra em outras espécies não-humanas, a pedagogia natural ressalta que o ensino é uma forma humana única de aprendizado social, com os professores apresentando intencionalmente às crianças coisas para elas prestarem atenção e aprender.


Referências:

Gergely,G., Egyed, K., e Király, I. (2007). On pedagogy. Developmental Science, 10(1), 139–146.

Csibra, G., e Gergely, G. (2009). Natural pedagogy. Trends in Cognitive Sciences, 13(4), 148–153.

Csibra, G., & Gergely, G. (2011). Natural pedagogy as evolutionary adaptation. Philosophical Transactions of the Royal Society B: Biological Sciences, 366(1567), 1149–1157.



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