A Educação Emocional na Nova Base Nacional Comum Curricular



A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) é o documento do Governo, de referência nacional, que define quais conhecimentos e competências devem ser ensinados e o que é esperado que os estudantes tenham aprendido ou desenvolvido em cada etapa da Educação Básica.

Ou seja, com a Base Curricular, fica claro para pais e professores o que cada criança deverá saber no final de cada ano as aprendizagens essenciais.

O documento reflete o tipo de educação que queremos e que cidadão estamos formando em nossas escolas.

Durante os últimos anos, o Ministério da Educação, junto de pesquisadores, professores, representantes de associações e outros profissionais da educação se reuniram periodicamente para debater e criar o documento.

No último dia 6 de abril, a versão final do documento foi finalmente apresentada e segue para análise do Conselho Nacional de Educação.


1. O compromisso com a Educação Integral

                                                                                                       
As diretrizes da base curricular consideram a formação integral do aluno. Ou seja, durante a Educação Básica devem ser desenvolvidas competências voltadas para a construção de projetos de vida e que, portanto, compreende aspectos físicos, cognitivos e socioemocionais.

Dentre as Competências Gerais da Base Nacional Comum Curricular, há destaque para o desenvolvimento do autoconhecimento, do reconhecimento de emoções, do cuidado com a saúde emocional e das habilidades sociais (habilidades que também podem ser rotuladas por o que convencionou-se chamar de Inteligência Emocional).



COMPETÊNCIAS GERAIS DA BASE NACIONAL COMUM CURRICULAR

(...)

8.      Conhecer-se, apreciar-se e cuidar de sua saúde física e emocional, reconhecendo suas emoções e as dos outros, com autocrítica e capacidade para lidar com elas e com a pressão do grupo.

9.      Exercitar a empatia, o diálogo, a resolução de conflitos e a cooperação, fazendo-se respeitar e promovendo o respeito ao outro, com acolhimento e valorização da diversidade de indivíduos e de grupos sociais, seus saberes, identidades, culturas e potencialidades, sem preconceitos de origem, etnia, gênero, orientação sexual, idade, habilidade/necessidade, convicção religiosa ou de qualquer outra natureza, reconhecendo-se como parte de uma coletividade com a qual deve se comprometer.

10.    Agir pessoal e coletivamente com autonomia, responsabilidade, flexibilidade, resiliência e determinação, tomando decisões, com base nos conhecimentos construídos na escola, segundo princípios éticos democráticos, inclusivos, sustentáveis e solidários.



2. Emoções na Educação Infantil: o Eu, os Outros e o Nós


“É na interação com os pares e com adultos que as crianças vão constituindo um modo próprio de agir, sentir e pensar e vão descobrindo que existem outros modos de vida, pessoas diferentes, com outros pontos de vista. Conforme vivem suas primeiras experiências sociais, constroem percepções e questionamentos sobre si e sobre os outros, diferenciando-se e, simultaneamente, identificando-se como seres individuais e sociais.” (BNCC, 2017)




Dentre os objetivos da aprendizagem social e emocional na Educação Infantil, é esperado da criança:
  
De zero a 1 ano e 6 meses
De 1 ano e 7 meses a 3 anos e 11 meses
De 4 anos a 5 anos e 11 meses
Perceber que suas ações têm efeitos nas outras crianças e nos adultos.
Demonstrar atitudes de cuidado e solidariedade na interação com crianças e adultos.
Ampliar as relações interpessoais, desenvolvendo atitudes de participação e cooperação.
Comunicar necessidades, desejos e emoções, utilizando gestos, balbucios, palavras.
Demonstrar imagem positiva de si e confiança em sua capacidade para enfrentar dificuldades e desafios.
Demonstrar empatia pelos outros, percebendo que as pessoas têm diferentes sentimentos, necessidades e maneiras de pensar e agir.
Demonstrar sentimentos de afeição pelas pessoas com as quais interage.
Comunicar-se com os colegas e os adultos, buscando compreendê-los e fazendo-se compreender.
Atuar de maneira independente, com confiança em suas capacidades, reconhecendo suas conquistas e limitações.
Desenvolver confiança em si, em seus pares e nos adultos em situações de interação.
Respeitar regras básicas de convívio social nas interações e brincadeiras.
Comunicar suas ideias e sentimentos com desenvoltura a pessoas e grupos diversos.

Resolver conflitos nas interações e brincadeiras, com a orientação de um adulto.

Compreender a necessidade das regras no convívio social, nas brincadeiras e nos jogos com outras crianças.


Usar estratégias pautadas no respeito mútuo para lidar com conflitos nas interações com crianças e adultos.





3. O que falta no Ensino Fundamental


As competências sociais e emocionais no Ensino Fundamental não são especificadas como na Educação Infantil. Algumas habilidades são abordadas dentro de disciplinas como Arte e Educação Física, onde é destacado a importância da expressão de emoções, ideias e desejos.



De maneira geral, "pretende-se que os estudantes, ao terminarem o Ensino Fundamental,  estejam  aptos  a  compreender  a  organização  e  o  funcionamento  de seu corpo, assim como a interpretar as modificações físicas e emocionais que acompanham a adolescência e a reconhecer o impacto que elas podem ter na autoestima e na segurança de seu próprio corpo" (BNCC, 2017).

A Base Curricular ainda falha em especificar objetivos de desenvolvimento pessoal, social e emocional no Ensino Fundamental, e não acompanha tendências atuais da Educação Socioemocional que têm sido incorporada ao currículo de muitas escolas de Ensino Fundamental e Médio nos últimos anos.


Veja também: 6 Estratégias para trabalhar Emoções na Educação Infantil